sexta-feira, 8 de maio de 2020

O amor é uma obra de arte

Quando o olhar encontra outro. Nasce a primeira fagulhas do amor. Não é o amor em si. É uma promessa do que ainda existirá. É como a primeira pincelada do pintor buscando trazer ao mundo uma imagem que estava sendo vislumbrada somente em seu cérebro. Não é a pintura final, nem é uma pintura ainda, é só uma promessa. Mas é essa promessa que as pessoas seguem. Essa é a fagulha de amor. Segue por curiosidade, por excitação, por vontade de experimentar o futuro e vai experimentando toda vez que o olhar se cruza, que as mãos se tocam, que as palavras soam, que os corpos se sentem e se tornam um. E assim as fagulhas ou as pinceladas vão construindo as imagens. A construção do amor/pintura pode durar para sempre enquanto há vida dentro dos amantes. Mas as imagens, às vezes, ficam prontas quando há muita vida a viver...e a imagem finalizada não faz mais sentido, então as pinceladas/fagulhas são analisadas, e às vezes vistas como sinais de desamor porque  tem defeitos, falhas, deficiências de percursos. E o quadro está lá pronto e acabado, porém ainda tem vida, mas o olhar não se cruzam mais, as mãos não querem se tocar, os corpos já não sentem prazer na junção. As fagulhas já não mais existem e assim os amores acabam. Cabendo as pessoas observar a imagem criada, aprender com ela, amar a imagem mas não mais o objeto que deu vida a obra e seguir agradecendo o amadurecimento dos seres. Podem também querer destruir a imagem criada por conta dos seus defeitos ou só ver as imperfeições da obra criada, aqui cabe também um aprendizado. O de não precisar conviver com os quadros criados, mesmo que estes façam parte da criação do pintor que o indivíduo se tornou. Então o amor e o desamor são criações que são feitas de escolhas. Eu escolho não destruir os meus quadros, mas escolho seguir em frente para continuar criador, de oportunizar a existência de outras fagulhas (ou pinceladas) e vivenciar a arte/amor nascer tantas vezes mais quanto for necessário para ser feliz.

Elissânia Oliveira


terça-feira, 5 de maio de 2020

Sinto falta de amar

Sinto falta do amor...sinto falta de amar
De aperto de mão...do aconchego
Do abraço...de braços nos ombros
Do riso solto
De ser livre

Sinto falta do calor...sinto falta de amar
De olhar...do olho no olho
Do arrepio...de subi e descer
Do suor depois do ato
De ficar trêmula... Sem ar

Sinto falta do peito...Sinto falta de amar
De escutar o coração...tututututu
De enrolar o dedos nos pelos
De sussurrar...quero mais!
De querer o seu querer junto com o meu querer.

Elissânia Oliveira

terça-feira, 14 de abril de 2020

Ele fala de amor e de sonhos

Cada folha que cai, cada noite que acaba, em cada amanhecer penso em você.
Durante o almoço e no fim do janta penso em você
Corrigindo provas, fazendo avaliações, em meio as leituras penso em você.

Da varanda

Os dias tem sido calmos e rápidos. Vejo o sol nascer e logo lá está ele dando adeus em mais um dia de distanciamento social, onde assisto tudo de minha varanda. Os carros passam, os cachorros latem e os gatos de rua parecem tranquilos. E eu fico pensando comigo que louco uma pandemia! E me posto reflexiva diante das novidades da calmaria-rapidez da vida que passa da minha varanda. Será que as coisas voltam? E como voltam? Será que serei a mesma? Será que é urgente as coisas que eu queria e que agora está suspensa? Muitas perguntas em um momento que minha vida se restringe praticamente dentro das paredes do meu apartamento. Durmo tarde, estudo e escrevo, home office, será que esse tipo de trabalho se aplica a mim? Penso em quem não pode fazer isso? me distraio mais uma vez. Nossa, tem gente que não come e uma vez eu li "quem não come, some"...deve ser por isso que pode morrer se for para a economia não parar. Mas não para para quem morre?

Elissânia Oliveira

Sobre a vida em isolamento

Se alguém anos atrás, poderia ser até ano passado, me dissesse que iríamos atravessar uma pandemia de alcance mundial certamente diria que era loucura. Isso só de pensar na pandemia, porque a gente não pensa nas consequências e impactos disso nas várias formas de vivenciar o mundo e as relações sociais.
Estamos reinventando o cotidiano. Às formas de sentir, de se relacionar, de comer, de dormir, de morar e de trabalhar. E o turbilhão de sentimentos e sensações que isso traz. 
Há duas semanas deixei de sair para trabalhar e passei a trabalhar em casa, que significa transformar minha casa, meu porto seguro, lugar onde me desestresso em lugar de ânsia e cobrança.
Há duas semanas, que meu celular, minhas redes sociais e email se transformou em ferramentas de trabalho. A Internet antes necessária se transformou em algo indispensável.
Há duas semanas, penso em como ser um boa professora. Imaginar estratégias e métodos em EaD. Me redescobrir como professora e também imaginar se os estudantes estão bem. Eles tem acesso a net? Como estão vivendo? Será que estão em isolamento? Estão estressados? Ser juventude é tão complexo.
E agora estou escrevendo um desabafo após saber que terei que fazer vídeos conferências e vídeo aulas, chamando as pessoas do meu trabalho para dentro da minha casa, para o meu universo particular. As relações se estreitam. Será que estou preparada? Não sei...mas continuamos que o mundo tá freando, mas não tá parado

Isolamento e seus sinônimos

Isolamento, teu sinônimo é saudade. Saudade da casa da mãe e do peixinho do domingo. Saudade dos aulas e dos alunos reclamando perguntando porque eu não faltei. Saudade da minha casa refúgio e não home office. Saudade das quintas feiras na casa da melhor amiga. Saudade das sextas feiras no bar do seu neném com os amigos do bairro. Saudade das reuniões do sábado e de planejar "fogo nos racistas", que pena que nunca pomos esse em prática. Saudades de um cotidiano agitado e cheio.

Isolamento, teu sinônimo é arte. Arte que salva-me do tédio. Agora fico aqui com paredes, músicas, livros e o toque cotidiano do celular, debruçada sobre o computador e mil e uma noias na cabeça. 

Isolamento, teu sinônimo é preocupação. preocupação com quem não tem o que comer, com quem precisa sair para trabalhar, com quem não pode para, pois vidas dependem de suas vidas.

Isolamento, teu sinônimo também é necropolítica. Que escolhe quem vive e quem morre. Quem serve é quem não serve. Quem é de berço e quem não é de berço. E assim a política, a economia e a desigualdade social recolhe os mortos dessa pandemia e eu percebo quanto dos meus estão perecendo dia a dia.

Elissânia Oliveira